Idoso morre de infarto após esperar atendimento por mais de 10h na Capital

Um idoso de 92 anos morreu no Trauminha de Mangabeira (Complexo Hospitalar Governador Tarcisio Burity) após mais de 10h sem atendimento do que tudo indicou ser um infarto. A denúncia do tratamento desumano prestado ao homem foi feito pela sua neta, Sâmya Renata, nas redes sociais. O idoso teria ficado todo o tempo de espera sentado em uma cadeira da ala amarela do hospital.

Segundo a jovem, seu avô deu entrada no Trauminha às 1h da madrugada da última terça-feira (9), com queixa de fortes dores no peito, braços e queixo. Foi submetido a um eletrocardiograma e apenas às 5h fez o exame de enzimas cardíacas que demoraria 4h para ter resultado e definir se o mesmo realmente havia sofrido um infarto.

“[Meu avô] era forte como um touro e aguentou quase 10h sentado numa cadeira na ala amarela, lúcido e sereno. Exame feito, disseram que faltava o médico cardiologista chegar para autorizar sua transferência pois ele precisaria fazer um cateterismo, procedimento que não era feito lá. Nos foi dito apenas que era um infarto”, relatou.

Sâmya relatou que a equipe do hospital informou que o médico cardiologista chegaria às 7h30. Porém, já às 11h, ainda sem a chegada do médico, a assistente social, com cara de deboche, disse que os hospitais estavam sem vagas e que o médico ainda iria chegar.

“Pouco depois vovô se queixou que a dor aumentou. Deram morfina e disseram que ele ficaria tranquilo até o médico chegar. Não ficou. Pouco depois o grito de desespero da minha tia tomou o hospital: ele havia partido ali, na sua frente. Infartou novamente”, prosseguiu.

Só a partir de então uma maca foi providenciada e o idoso foi para a ala vermelha. Segundo Samya, ele já passou foi morto para a ala, porém, a equipe sustentou ainda por 30 minutos que ele não havia morrido, mas tava em estado de parada cardíaca. Depois, que tentaram o reanimar por oito vezes e o entubaram, porém, não havia sinais da entubação.

“Vovô infelizmente morreu sem a dignidade que tem direito e que lhe era garantida pelo estatuto do idoso. Vovô que teve a infelicidade de pegar um plantão desumano, descompromissado e sem o tratamento humanizado que tanto falam no SUS. Pessoas que para nos responder alguma pergunta, após muita insistência, não levantavam nem os olhos, respondiam olhando para seus celulares, como se a vida pouco valesse. Vovô que teve a infeliz sina de ter sido levado ao Trauminha, pelo Samu. Por unanimidade as pessoas que viam nosso desespero diziam: aqui é um abatedouro de gente. Faltou humanidade, faltou acolhimento, faltou dignidade”, desabafou.

Paraíba Já.

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